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Sexo
Urbano é uma anunciação. Parece que
o ser humano chegou ao fundo de suas potencialidades. Estamos
em plena mutação. Num mundo sem deus nem magia, num mundo
que tem como referencial a precariedade de todos os sinais,
num mundo entregue a seu próprio fim, tudo é preperação para
adventos e milênios, vindas e messias.
Ler Sexo Urbano é como caminhar
entre ruínas de moral, valores e costumes que agonizam. E se
desesperar por não poder ver - como num espelho, como num filho
- nossa ftura face.
Seja bem-vindo ao inferno de ser igual
a todo mundo. |
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Você conhece
uma moça que só pega táxi quatro portas para
caso de ter que escapar de uma violência; anota a chapa e não
sai à noite.
- Táxi!
Pára adiante e espera sem abrir a porta. Entra, diz a direção
e ele arranca. Dirige feito um louco como se o tempo estivesse sempre
por um fio. De vez em quando ele enxuga a testa suada com uma flanela
velha. Seus olhos no retrovisor parecem os de um rato acuado, você
pensa sem jamais ter visto um rato acuado. Ultrapassa sinais e encurta
caminhos, olhos vidrados, gestos súbitos, atento como um combatente
em campo de batalha. Transpira e é uma chaleira, estão
engarrafados, o vidro da frente está fechado e a temperatura
sobe. Não tem coragem de pedir ao motorista que abra o vidro,
quer que a corrida acabe, quer chegar logo ao seu destino.
Ele não tem troco, os outros carros buzinam, você entra
num boteco de última categoria e pede um cigarro fraco de filtro
branco, espera o troco durante um quarto de século entre mendigos
e bêbados, um ou outro olha pra você de alto a baixo como
se quisesse assassiná-la.
Paga o táxi e faz a pé um pequeno percurso e um grande
esforço físico para andar invisível, descobrir
o segredo da invisibilidade: franze as sombrancelhas, abaixa os olhos,
morde a boca, curva os ombros, estufa a barriga e arrasta o pé.
Chega em casa morta de cansada. Quando morrer quer reencarnar num
homem gordo, branco, alto e forte só pra sentir o gostinho
de andar pelas ruas assim.
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